top of page

Governo Federal ignora Entorno e se recusa a integrar consórcio de transporte

Os governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), voltaram a cobrar a presença do Governo Federal no Consórcio Interfederativo da Região Metropolitana do Entorno (CIRME). O consórcio está em fase de criação e tem um objetivo claro: enfrentar os graves problemas de mobilidade que castigam diariamente milhões de pessoas.


Cobranças de governadores não sensibilizam ANTT. Foto: Marcos Santos
Cobranças de governadores não sensibilizam ANTT. Foto: Marcos Santos

Mas, apesar de ser corresponsável pelo transporte interestadual, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério dos Transportes já sinalizaram que a União ficará de fora. Para os líderes locais, essa postura é um retrocesso.


Em ofício enviado à ANTT, os governadores foram diretos: o papel da União é intransferível. “Não se trata de um favor, mas de um dever constitucional e federativo. Cabe à União assegurar, de forma solidária, o direito à mobilidade de milhões de cidadãos do Entorno”, destacaram.


ANTT fora do consórcio

A decisão da ANTT de não participar como interveniente, alegando que seguirá apenas com funções regulatórias, pegou os governadores de surpresa. Para eles, quem deveria assumir o protagonismo é o Ministério dos Transportes, já que a agência não tem competência política para integrar o CIRME. O impasse acontece em meio à polêmica sobre o reajuste de 2,91% nas tarifas de ônibus do Entorno, previsto desde fevereiro, mas suspenso após pressão dos governos locais.


Voz do povo: críticas e cobranças

Quem depende do transporte sente na pele. Maria das Graças, moradora de Luziânia, desabafou: "O governo federal precisa ajudar a bancar o transporte junto com o DF e Goiás. Não dá para deixar o povo pagar essa conta sozinho.” José Carlos, de Valparaíso, foi ainda mais duro: “Parece que o presidente só lembra do Entorno na hora de cobrar passagem cara.” Fernanda Oliveira, de Águas Lindas, resumiu a indignação: “O transporte já é precário, os ônibus quebram, as estradas estão cheias de buracos. E ainda o governo federal não quer entrar no consórcio? É um absurdo.” Carlos Henrique, de Novo Gama, completou: “É fácil governar de Brasília e esquecer de quem passa duas horas no ônibus todo dia. O Ministério dos Transportes precisa assumir sua parte.”


Estradas precárias e promessas não cumpridas

Para o cientista político Paulo Melo, a ausência da União no consórcio é mais um capítulo de um descaso histórico com o Entorno.“A BR-040 está esburacada, as rodovias federais de Goiás são só buracos. Precisamos de passarelas, BRT, viadutos, ampliação das pistas. Prometeram o BRT até Luziânia e nada. Até Águas Lindas e nada. Agora, nem o subsídio querem assumir.”


Pressão política aumenta

Ibaneis Rocha reforçou o apelo: “Queremos o Governo Federal dentro do consórcio, seja pelo Ministério dos Transportes ou por qualquer outro meio. Não dá para o DF e Goiás carregarem sozinhos essa responsabilidade.”


Ronaldo Caiado foi na mesma linha: “A União não pode virar as costas para milhões de cidadãos do Entorno. O consórcio só será completo com a presença efetiva do Governo Federal.”


Enquanto o impasse continua, a realidade não muda: ônibus lotados, tarifas altas e estradas precárias. Para quem depende do transporte coletivo, a sensação é de abandono — e sem perspectiva de solução a curto prazo.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page