EUA avançam sobre terras raras em Goiás e acendem alerta sobre soberania mineral no Brasil
- ANDRE BRITO

- 21 de abr.
- 2 min de leitura
Memorando assinado por Ronaldo Caiado e entrada de empresa americana em mina de Minaçu colocam país no centro da disputa global por minerais estratégicos

A USA Rare Earth anunciou ontem (20) um acordo para adquirir 100% da mineradora Serra Verde, com operações em Goiás, por US$ 2,8 bilhões – quase R$ 14 bilhões ao câmbio de hoje.
O avanço de capital estrangeiro sobre um dos principais projetos de terras raras do Brasil, localizado em Minaçu, reacendeu o debate sobre soberania mineral e controle de recursos estratégicos no país. A movimentação ocorre em um momento de crescente disputa global por insumos considerados essenciais para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética.
O projeto Serra Verde, apontado como um dos mais promissores fora da Ásia na produção de terras raras pesadas, passou a contar com a participação da empresa americana USA Rare Earth. A operação integra uma estratégia dos Estados Unidos para reduzir a dependência da China no fornecimento desses minerais críticos.
Goiás entra no radar global das terras raras
Com a crescente demanda por minerais estratégicos, Goiás tem se consolidado como um dos principais polos brasileiros do setor. Nesse contexto, o ex-governador Ronaldo Caiado assinou em 18 de março, um memorando de entendimento voltado à ampliação de investimentos e ao fortalecimento da cadeia produtiva mineral no estado.
A iniciativa busca atrair capital internacional e posicionar Goiás como referência global na produção de terras raras. No entanto, o avanço estrangeiro levanta questionamentos sobre o nível de controle brasileiro em empreendimentos considerados estratégicos e coloca o estado em rota de colisão com o Planalto.
Debate sobre soberania e interesses internacionais

Especialistas apontam que a exploração de terras raras vai além da economia, envolvendo também interesses geopolíticos. Esses minerais são fundamentais para a produção de tecnologias como baterias, veículos elétricos, turbinas e equipamentos eletrônicos.
Durante agenda internacional em Barcelona, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
destacou a importância de preservar o controle nacional sobre recursos naturais estratégicos. “O Brasil precisa garantir que suas riquezas estejam a serviço do desenvolvimento do povo brasileiro”, afirmou, segundo registros da imprensa, horas antes do anúncio da empresa USA Rare Earth.
Disputa global por minerais críticos
De acordo com dados do United States Geological Survey e da International Energy Agency, a demanda por terras raras deve crescer significativamente nas próximas décadas, impulsionada pela transição energética e pela corrida tecnológica entre grandes potências.
Nesse cenário, o Brasil passa a ocupar posição estratégica, mas ainda enfrenta o desafio de equilibrar a atração de investimentos estrangeiros com políticas que garantam autonomia econômica e agregação de valor interno.
Entre desenvolvimento e controle estratégico
A negociação envolvendo o projeto em Goiás evidencia um dilema cada vez mais presente: como aproveitar o interesse internacional para impulsionar a economia sem abrir mão do controle sobre recursos considerados essenciais para o futuro do país.
O desfecho desse processo pode definir não apenas o papel do Brasil no mercado global de minerais críticos, mas também sua capacidade de transformar riqueza natural em desenvolvimento sustentável e tecnológico.




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