Festa do Marmelo - Tradição ocidentalense legítima
- André Brito

- 8 de jan.
- 3 min de leitura
O aroma do doce cozinhando em tachos de cobre e o som dos cascos de cavalos batendo no chão de terra anunciam: é tempo de celebrar a colheita em Cidade Ocidental. A Festa do Marmelo, que em 2026 chega à sua 24ª edição, é muito mais do que um evento regional; é o elo vivo entre o presente urbano e as raízes rurais da região do Mesquita, um quilombo com mais de 270 anos que preserva a história de Goiás.

Raízes de Fé e Trabalho
A celebração nasceu da união entre a devoção religiosa e a subsistência agrícola. Historicamente, a produção de marmelo no Quilombo Mesquita é uma herança de ancestrais que remonta ao período da escravidão no Arraial de Santa Luzia. O cultivo foi introduzido por figuras como Benedito Antônio Pereira, considerado um "bandeirante negro", que ensinou gerações a transformar o fruto em fonte de renda e símbolo de resistência cultural.
A 1ª edição da festa teve como objetivo principal arrecadar fundos para a construção da Igreja de Nossa Senhora da Abadia, padroeira do quilombo. Hoje, a festividade é reconhecida como um espaço de fortalecimento de identidade e está em processo de se tornar patrimônio cultural e imaterial do estado de Goiás.
Os Pilares da Festa: Fé, Esporte e Cavalgada
A cada ano, a festividade renova seus recordes de público através de três eixos principais que movem a cidade:
A Cavalgada do Marmelo: Um verdadeiro espetáculo de tradição rural. Centenas de cavaleiros atravessam a cidade portando estandartes, acompanhados por uma multidão em carros e motos, todos paramentados a rigor. Em edições marcantes, como a de 2012, mais de 500 participantes percorreram o trajeto em direção ao Mesquita.
A Corrida do Marmelo: Para os amantes do esporte, a "Corrida do Marmelo" já integra o calendário nacional de atletismo. Com trajetos de 5 km e 10 km, a prova reúne desde atletas profissionais de elite até moradores locais que buscam superar seus próprios limites sob o sol goiano.
Os Leilões: Talvez o momento mais humano e simbólico do evento. Após a missa no Santuário, ocorre o leilão para arrecadar fundos para as obras da igreja. O ponto alto é o arremate de objetos artesanais, fabricadas por figuras icônicas da comunidade e produtos típicos da região, como lotes de marmelo, galinhas caipiras, vassouras de piaçava e doações de fazendeiros. Em um gesto de pura generosidade e fé, as doações chegam a ser arrematadas por valores que superam os R$ 6.000,00, simbolizando o esforço coletivo para a construção da fé local.
Cultura que une gerações
O encerramento das festividades é marcado por missas, almoços comunitários com pratos típicos e grandes shows sertanejos. Em 2026, a programação artística inclui nomes como Galã do Piseiro e DJ Lucas Durães, levando alegria à zona rural. É uma celebração onde o marmelo deixa de ser apenas um fruto para se tornar um "dedinho" de história em cada família quilombola, unindo passado e futuro.
A Festa do Marmelo é, em essência, a prova de que o progresso de uma cidade não precisa apagar suas tradições. Pelo contrário, é no brilho do tacho de doce e no suor da corrida que Cidade Ocidental encontra sua identidade mais autêntica.
Serviço
Para não ficar de fora desta celebração que une fé, cultura e esporte, acompanhe o cronograma oficial.
Sexta-feira – 09/01
Santa Missa de Alvorada da Festa
18h00
Capela do Rosário – Luziânia
Sábado – 10/01
Cavalgada do Marmelo
10h00 – Concentração na Igreja do Rosário
11h00 – Saída
14h30 – Almoço no campo de Futebol do Mesquita
Bailão Dançante
Domingo – 11/01 Festa do Marmelo
10h00 – Santa Missa
Após a missa – Almoço
Em seguida – Leilão
Durante os dois dias de festa haverá exposição de doces e produtos derivados do marmelo, valorizando a agricultura familiar.
Acesse e saiba mais: www.cidadeocidental.go.gov.br







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